Relatório aponta perda de quase 40% da faixa de areia da engorda de Ponta Negra

  • 02/06/2026
(Foto: Reprodução)
Água acumulada na faixa de Areia de Ponta Negra abre uma espécie de rio próximo ao Morro do Careca, em Natal Sérgio Henrique Santos/Inter TV Um monitoramento técnico da Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN) apontou redução de 39,27% no volume de sedimentos medido acima da linha d’água na área analisada da engorda da Praia de Ponta Negra, em Natal, entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Segundo o estudo, o entorno do Morro do Careca apresentou o quadro mais crítico em termos proporcionais e pode demandar intervenções complementares para conter o processo erosivo. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Em números absolutos, o levantamento apontou redução de 400,9 mil metros cúbicos de sedimentos na área monitorada. O volume analisado passou de 1,02 milhão para 619,8 mil metros cúbicos no intervalo de doze meses. O relatório ressalta, porém, que a redução observada no trecho monitorado não significa, necessariamente, perda definitiva de sedimentos. Isso porque o levantamento considera apenas a porção da praia acima da linha d’água e não inclui a antepraia, que permanece submersa. Segundo os pesquisadores, apenas levantamentos topobatimétricos complementares poderão indicar com precisão se parte do material foi deslocada para áreas submersas próximas ou redistribuída ao longo da praia. Trecho do Morro do Careca teve maior redução proporcional O relatório divide a área da engorda em três zonas: Área A, correspondente à Via Costeira; Área B, no trecho central de Ponta Negra; e Área C, no entorno do Morro do Careca. De acordo com o estudo, a Área C apresentou a maior redução proporcional, de 51,87%, o equivalente a 111,1 mil metros cúbicos em relação ao volume inicial analisado. Já a Área A, na Via Costeira, embora tenha registrado redução proporcional menor que a do Morro do Careca, de 49,74%, apresentou a maior variação em volume absoluto: 207 mil metros cúbicos. Na Área B, correspondente ao trecho central de Ponta Negra, a redução registrada foi de 82,7 mil metros cúbicos, o equivalente a 21,21% do volume inicial analisado. Como ficou cada área da engorda Relatório recomenda avaliação de medidas complementares Em um dos trechos, o relatório projeta que, sem intervenções complementares — como reaterro, controle de drenagem a montante, redimensionamento dos dissipadores e implantação de lagoas de captação e infiltração no bairro de Ponta Negra —, a tendência é de continuidade da redução de sedimentos na Área C, com redistribuição de material para a Área B, até que seja alcançado um novo equilíbrio sedimentar. O estudo relaciona o comportamento observado, especialmente no entorno do Morro do Careca, a episódios erosivos registrados ao longo do primeiro ano após a conclusão da engorda. Entre os eventos citados estão a formação de um canal erosivo em 6 de fevereiro de 2025, um novo episódio de erosão em 18 de junho de 2025, alagamentos registrados em outubro de 2025 em meio à combinação de chuvas, drenagem urbana e maré elevada, e novas ocorrências erosivas observadas em fevereiro de 2026. Segundo os pesquisadores, esses episódios reforçam a necessidade de medidas complementares para enfrentar as causas do processo erosivo no trecho. A reportagem procurou a Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN), responsável pelo monitoramento, e o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) para comentar os resultados do estudo e esclarecer quais providências poderão ser adotadas a partir das conclusões do relatório. Até a última atualização desta matéria, não houve retorno. O que diz a Seinfra A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, afirmou que o resultado apresentado no relatório não representa, necessariamente, perda definitiva da areia utilizada na obra. Segundo ela, o estudo não conclui que houve desaparecimento de 40% do material empregado no aterro hidráulico, mas aponta alterações associadas à dinâmica natural de transporte e redistribuição de sedimentos ao longo da praia. Ainda de acordo com a titular da Seinfra, esse comportamento não significa, por si só, que o material tenha saído do sistema costeiro. Prefeitura anuncia nova obra de drenagem na engorda de Ponta Negra

FONTE: https://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2026/06/02/relatorio-aponta-perda-de-quase-40percent-da-faixa-de-areia-da-engorda-de-ponta-negra.ghtml


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